Professor nativo é mesmo melhor?

Atualizado: 15 de jun.


Quem sonha em aprender outras línguas é diariamente bombardeado com anúncios de escolas, métodos e professores diversos, todos prometendo ser a melhor opção para que o aluno atinja rapidamente a fluência na língua-alvo. Uma característica comum a muitos desses anúncios é o argumento do “professor nativo”, aquele nascido e criado em um país falante daquela língua… Mas afinal, o que tal informação sobre o professor acrescentaria ao aprendizado de língua? E ainda: seria o professor nativo superior ao professor de origem estrangeira?

Em primeiro lugar, é preciso compreender que a lógica de mercado pode não coincidir com a produção de conhecimento que dá base ao serviço que está sendo vendido, já que para que essa venda ocorra, as informações sobre o serviço são apresentadas ao consumidor por intermédio do marketing. Como a concorrência é grande, este terá a tarefa de tornar o produto mais atrativo que os demais (agora considerados adversários) valendo-se das características daquele serviço como argumentos. Assim surge a promoção da tal superioridade do professor nativo, como uma simples propaganda do serviço desses profissionais, mas que acabou entrando para o imaginário popular como uma verdade didática.

Então quer dizer que não existe diferença alguma entre o professor nativo e o não-nativo? Pelo contrário, há muitas diferenças, e o impacto de cada uma delas dependerá da postura de cada profissional, mas também do projeto de aprendizagem de cada aluno. Por exemplo: se você já está em um nível intermediário-avançado e está se preparando para emigrar, talvez você queira ser acompanhado por um profissional que utiliza integralmente aquela língua e que poderá te informar das gírias do momento, da vida cultural de uma cidade, do vocabulário mais adequado para pedir aquele cachorro-quente no capricho na barraquinha da rua. Mas todos os professores, nativos ou não, serão capazes de te ensinar a variedade padrão da língua, compreendida em qualquer localidade e que é a mais indicada para situações de trabalho. O professor nativo pode ser bastante útil em situações específicas, como aprender as particularidades de determinada variedade linguística regional; mas para a maioria dos projetos de aprendizagem da língua, esse detalhe não fará diferença.

Há também a possibilidade do projeto de aprendizagem não condizer com a escolha de um professor nativo, especialmente quando falamos de públicos específicos. Crianças brasileiras em fase de alfabetização, por exemplo, apresentarão comportamentos típicos da aquisição do português que podem ser explorados para auxiliarem no processo de aprendizagem de línguas estrangeiras; porém, esses aspectos podem ser menos evidentes para um professor que não domina bem o português. O exemplo mais impactante da importância de escolher o professor mais adequado a cada demanda é o do aluno iniciante, independentemente de sua idade, pois este ainda se apoia muito na língua materna: o bom professor brasileiro possuirá formação acadêmica e experiência didática para compreender a influência da língua portuguesa para aquele aluno, e saberá utilizá-la a favor do processo de aprendizagem.

Para encerrarmos a discussão, é importante alertarmos o aluno para a importância da formação do professor, que impactará diretamente em seu trabalho diário. Afinal, muito mais importante do que a língua materna do seu professor são as ferramentas didáticas utilizadas na mediação daquele conteúdo, bem como sua experiência em sala de aula. Graças ao mito da superioridade do professor nativo, muitos estrangeiros dão início a uma carreira na área da educação sem jamais dedicar-se ao estudo das disciplinas necessárias ao bom professor - didática de línguas, desenvolvimento de metodologia, tradução cultural, psicologia do ensino-aprendizagem, aspectos históricos, filosóficos e sociológicos da educação, design instrucional, linguística, entre tantas outras. Por isso, fique alerta: proficiência na língua não é equivalente a preparo didático! É certo que o professor formado em Letras no Brasil saberá acolher suas dúvidas e encaminhar suas metas de aprendizado com muito mais embasamento teórico e experiência didática do que o engenheiro francês que dá aulas nas horas vagas ;)

É por isso que a ОктовеЯ Languages investe na formação contínua e de qualidade de cada um de seus professores, prezando pela formação crítica e autonomia do aluno no processo de apropriação da língua. Se você está buscando aprender inglês, francês, espanhol ou russo com profissionais capacitados e experientes, entre em contato conosco e solicite um orçamento!


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